Pouco menos de uma hora depois de confirmada a morte do ex-vice-presidente José Alencar, a secretaria de Cultura do Estado de São Paulo cometeu uma gafe no Twitter, amplamente repercutida na rede. Por volta das 15h30, o perfil oficial da secretaria – @CulturaSP – exibia o seguinte comentário: "PQ foi o José Alencar e não o #Sarney?" (texto literal).
O comentário foi rapidamente apagado. Em seu lugar, foi postado um pedido de desculpas: “Mensagem postada indevidamente no nosso perfil não reflete a posição oficial da Secretaria. Lamentamos o ocorrido.”
O caso fez o nome do senador José Sarney figurar entre os assuntos mais populares do Twitter, e recorda outro episódio de gafe institucional que também tinha o presidente do Senado como personagem principal. No mês passado, uma funcionária terceirizada do STF (Supremo Tribunal Federal) questinou quando Sarney iria se aposentar: “Ouvi por aí: 'agora que o Ronaldo se aposentou, quando será que o Sarney vai resolver pendurar as chuteiras?”. A funcionária foi dispensada, e o Supremo emitiu uma nota oficial com pedido de desculpas ao senador.
Quem sou eu
- José Arnaldo
- São Luís, Maranhão, Brazil
- Homem simples e comum: procuro ser gentil com as pessoas, amigo dos meus amigos e bondoso com a minha família. Sou apaixonado por filmes, internet, livros, futebol e música. Estou tentando sempre equilibrar corpo e mente, manter-me informado das notícias a nível mundial, ministrar aulas de geografia em paralelo às pesquisas acadêmicas que desenvolvo e, no meio de tudo isso, tento achar tempo para o lazer e o namoro. Profissionalmente,sou geógrafo e professor de Geografia no Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal do Maranhão (IFMA Campus Avançado Porto Franco) e Doutorando em Geografia Humana na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Membro do Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA) e do Núcleo de Estudos do Pensamento Socialista Pesquisa do Sindicalismo (NEPS), ambos da UFMA. Participo da Rede Justiça nos Trilhos.
quarta-feira, 30 de março de 2011
“Não existe o risco zero”
Para a geógrafa francesa Yvette Veyret, vivemos numa sociedade de riscos, que não são fatalidades de cunho divino, mas podem ser, na maioria dos casos, previstos e evitados. Conscientização da sociedade para essa realidade é fundamental, analisa
Por: Márcia Junges | Tradução Luciana Cavalheiro
A vulnerabilidade social é um componente maior do risco. “Cabe a nós tornarmos a sociedade menos vulnerável, mais consciente dos perigos, mais pronta para se proteger”, pondera a geógrafa francesa Yvette Veyret na entrevista exclusiva que concedeu por e-mail à IHU On-Line. “Devemos ser atores responsáveis na gestão dos riscos”. A pesquisadora pondera que os acontecimentos do Japão em 11-03-2011 fazem parte da dinâmica normal da terra, mas possuem maior impacto quando atingem locais de intenso povoamento, como foi nesse caso. Some-se a isso a cobertura em tempo instantâneo do que acontece. Analisando a questão da sociedade do risco e incerteza, a geógrafa pontua que a incerteza permeia tudo, e que não existe risco zero. Geralmente, alfineta, um mundo de certezas acabadas e sem riscos é fruto da “mídia simplificadora”. Contudo, acrescenta Veyret, “a esperança está bem presente, pois se tem uma possibilidade de se prevenir contra os riscos que não são fatalidades enviadas por Deus ou pelo Diabo. O risco é previsível, ao menos em parte”.Yvette Veyret é geógrafa, especialista em meio ambiente, considerada uma das maiores autoridades mundiais sobre o tema dos riscos. Leciona na Universidade de Paris X – Nanterre, na França. É presidente do Comitê Nacional Francês de Geografia. De sua produção bibliográfica, destacamos Os Riscos - o Homem Como Agressor e Vítima do Meio Ambiente (São Paulo: Contexto, 2007), por ela organizada. Escreveu Géographie des risques naturels en France (Paris: Hatier, 2004) e Géo environnement (Paris: Sédès, 1999).
Confira a entrevista.
IHU On-Line - Por que os riscos são uma construção social?
Ivette Veyret - Os riscos têm origens variadas: naturais (terremotos, inundações, vulcanismos...), tecnológicos (riscos afetando as usinas químicas, por exemplo...), econômicas (as grandes crises econômicas...). Mas, nesta noção de risco é preciso distinguir o perigo, que é o processo desencadeador (terremoto, tsunami...) e o risco propriamente dito, que é o perigo percebido, vivido pela sociedades. Sem os homens não há risco. O perigo vem, então, do processo natural em nosso caso; faz parte da dinâmica terrestre. Jean Jacques Rousseau , o filósofo, mostrava bem em 1755, que um terremoto em um deserto não teria efeitos graves uma vez que ninguém o sofreria. Em algumas sociedades, o risco não é percebido como tal, aceita-se em nome de Deus o processo que os atinge. Era o caso na França até o século XIX, onde se fazia procissão quando o Sena transbordava, rezando-se à Santa Genoveva para que ela fizesse-o retornar ao seu leito... mas não se comprendia ainda que era possível agir, proteger-se... Submetia-se. É ainda o caso em alguns países ou grupos sociais.
Há então uma forte dimensão social no risco, que é agravado pela vulnerabilidade das populações e das transformações. Assim, as cidades estão mais vulneráveis que o campo aos perigos, em razão da própria densidade da população. É preciso acrescentar que são seguidamente os mais pobres que são os mais vulneráveis, pois eles são instalados em setores perigosos (inundáveis, próximo de usinas perigosas), onde o preço do terreno é mais baixo, ou porque estas pessoas são instaladas nestes locais sem autorização. Estas populações pobres estão mal-informadas dos perigos, pois elas são pouco ou mal escolarizadas. Elas não têm meios de partir se uma crise chega. É esta a vulnerabilidade e ela é social. É um componente maior do risco.
IHU On-Line - Quais eram os grandes riscos do passado e quais são os atuais?
Ivette Veyret - Na Europa os grandes riscos e as grandes crises do passado eram as epidemias (principalmente a peste que levou no século XV uma parte considerável da população europeia). Era também os efeitos dos períodos frios ou quentes demais, muito úmidos ou muito secos que tinham consequências na produção agrícola e produziam a fome. Certamente, em 1755 Lisboa foi destruída por um terremoto e um tsunami, mas isso foi muito localizado. E não existia a mídia! Em um mundo sobretudo rural, com populações menos densas que hoje em dia, um acontecimento natural tinha somente os efeitos locais e mesmo reduzidos, mesmo se há textos antigos que mostram as inundações de Paris, por exemplo.
IHU On-Line - Nesse sentido, qual é o nexo que une globalização, risco e medo?
Ivette Veyret - Hoje um acontecimento de forte intensidade que faz parte necessariamente da dinâmica normal da terra (não é anormal ter tremores de terra, episódios vulcânicos, períodos frios ou muito quentes) ganha outros contornos. Na verdade, tudo isso faz parte da dinâmica terrestre normal. Reitero que o que é novo é a globalização do acontecimento pela mídia, pela internet. Então, vê-se isto ao vivo, mesmo se isso acontece no Japão, o que pode efetivamente conduzir as populações a interrogarem-se sobre os riscos que elas correm no Brasil, na França ou em outros lugares. Mas é preciso ser racional e saber que no Brasil e na França os riscos sísmicos são reduzidos. O perigo de tsunami pode ainda existir, mas provavelmente não da mesma maneira que no Japão.
Os riscos em alguns países são mais precisamente políticos, ou ligados a uma má gestão e à pobreza que implicam nas epidemias, nas doenças ligadas às águas sujas. A natureza não é responsável por tudo. E porque os homens estão instalados perto demais do litoral, em habitats pouco sólidos é que os efeitos destes processos naturais são devastadores. A sociedade, por suas práticas, por sua vulnerabilidade, por sua falta de conhecimento dos acontecimentos naturais ou tecnológicos alimenta o perigo de certos processos e explica até mesmo o número de vítimas.
IHU On-Line - Por que o Japão é considerado, por excelência, o país dos riscos?
Ivette Veyret - O Japão, em nossa análise francesa, é o país dos riscos por excelência, aquele que concentra todos os perigos naturais violentos: terremotos, tsunamis, vulcões, deslisamentos, inundações, ciclones no sul. É o país também percebido no Ocidente como bem preparado para uma gestão de riscos, embora os acontecimentos recentes nos mostram que esta preparação continua sendo insuficiente. O próprio terremoto de Kobé, em 1995, tinha mostrado a mesma coisa, quando houve 6 mil mortes. Mas, em um outro país pobre, a mesma intensidade do terremoto teria feito milhares de mortos, como no Haiti no ano passado, pois imóveis teriam desmoronado. No Japão há uma boa construção antissísmica. O que não pôde ser suficientemente antecipado foi o tsunami. Ainda há o que fazer neste contexto e, primeiramente, pensar nos lugares de construção das mudanças. É preciso construir na praia? Ou construir mais no interior? É preciso construir em madeira sistematicamente também? Ou de forma mais resistente?
O Japão é o país dos riscos por excelência, aquele em que o conhecimento dos processos perigosos é o melhor, aquele em que as populações estão preparadas para as catástrofes em cadeia. Porém, há catástrofes em cadeia das quais a amplitute não tinha sido suficientemente antecipada pelo país. Ou seja, as centrais já antigas estavam mal situadas em relação ao tsunami. Será que não se tinha na memória um tsunami tão violento?
IHU On-Line - A partir do desastre nuclear no Japão, os outros países devem rever seus programas nucleares e mitigar o risco desse tipo de acidente?
Ivette Veyret - Certamente é preciso rever a confiabilidade de nossas instalações, isso é certo. Agora, se é preciso parar os programas, isto ultrapassa a análise de um pesquisador e remete a uma escolha nacional e política. A questão dos dejetos nucleares é fundamental, a periculosidade das centrais é uma realidade, e ela é diferente da periculosidade igualmente considerável das usinas químicas, por exemplo.
IHU On-Line - Em que medida o episódio japonês significa não o fim do mundo, mas o fim de um mundo de certezas e axiomas obstinadamente cultivados?
Ivette Veyret - Vejo aqui um falso debate. Há muito tempo que os cientistas sabem que a dúvida é a primeira qualidade do cientista, que nada é totalmente certo em matéria científica. É geralmente a mídia muito simplificadora que faz pensar que vivemos em um mundo de certezas, no qual o risco zero deve ser a realidade. O simples fato de viver faz saber que se vai morrer, que não há risco zero. A incerteza está em tudo, quanto à data de nossa morte inclusive. A ciência do século XIX pode fazer acreditar para alguns que se poderia vencer algumas crises, ou até mesmo alguns riscos. Há muito tempo que se sabe que isso não é verdade. Viver significa arriscar-se.
IHU On-Line - Em que medida esse episódio japonês sedimenta traumas nesse país já marcado anteriormente pela energia nuclear?
Ivette Veyret - Os acontecimentos japoneses só podem questionar a população que conheceu as bombas nucleares. Estes acontecimentos conduzirão os políticos a reverem seu programa e sua confiabilidade. É claro que as centrais não haviam sido concebidas para ondas de tsunami que, em alguns locais, atingiram até 20m de altura. Pode-se lamentá-lo quando se sabe o quanto os japonêses conhecem a amplitude dos riscos que o ameaçam. Construíram muros antitsunami. Talvez não fossem suficientemente altos...
IHU On-Line - Ao lado do risco e do medo, convive uma certa atitude de soberba por parte do ser humano, que alguns autores já chamam de pós-humano e autopoiético... Qual é o seu ponto de vista?
Ivette Veyret - Esta análise não entra na minha abordagem do risco que não tem, talvez, uma visão filosófica. Penso que a sociedade, nossas sociedades, devem continuar evoluindo em direção a uma maior equidade, em direção a um maior bem-estar para todos. Mas, também, em direção a um uso mais controlado da natureza e de seus recursos, sabendo-se que haverá sempre perigos e catástrofes. Cabe a nós tornarmos a sociedade menos vulnerável, mais consciente dos perigos, mais pronta para se proteger.
IHU On-Line - A ilusão de que se domina completamente a técnica dá prerrogativas ao ser humano para que acredite que pode controlar e dominar a natureza?
Ivette Veyret - A técnica permitiu e permitirá ainda muitas evoluções benéficas para os homens, sua saúde, seu contexto de vida. Para mim o progresso, a ciência e a técnica são fundamentais. É claro, eles podem ser responsáveis pelas disfunções, mas uma sociedade democrática deve permitir uma supervisão permanente, formas de “contrapoderes” para definir bem os riscos e afrontá-los. O ser humano não tem nenhuma razão de imaginar que ele domina tudo. A natureza continua com forças que são mobilizadas sem medida comum com o que o homem pode mobilizar. Esquece-se às vezes disso. É preciso lembrar, todavia, que a natureza (o mar, os vulcões, os ciclones) se caracteriza por forças que nos ultrapassam muito. É preciso, então, reduzir a vulnerabilidade das sociedades e das instalações. Isto significa planejar-se a fim de se instalar mais longe do mar, ser mais vigilantes quanto às escolhas técnicas, tecnológicas, e o que comemos. Mas a ciência e o progresso continuam sendo aspectos fundamentais para a humanidade do futuro.
IHU On-Line - Nesse aspecto, a energia nuclear seria um Frankenstein fora de controle do seu criador?
Ivette Veyret - Naturalmente a energia nuclear é complexa e apresenta riscos evidentes. Se ela é utilizada, é preciso saber o tamanho dos riscos e conhecer as interações entre os perigos naturais (terremotos, tsunami, vulcão... ciclones) e as centrais nucleares. É preciso projetar o tipo de centrais. Nem todas funcionam da mesma maneira e têm uma sensibilidade diferente em relação aos grandes acontecimentos naturais. Coloca-se também a questão do tratamento dos dejetos nucleares. Evidentemente o nuclear assusta. É preciso suprimi-lo? É fácil quando se pensa nas dificuldades de desmantelar as centrais? É uma escolha política difícil em um país como a França, no qual a questão da energia é central e onde o nuclear produz uma parte importante da energia utilizada.
IHU On-Line - Qual é o lugar da esperança e da oportunidade numa sociedade do risco e do medo?
Ivette Veyret - Para mim, a esperança está bem presente, pois se tem uma possibilidade de se prevenir contra os riscos que não são fatalidades enviadas por Deus ou pelo Diabo. O risco é previsível, ao menos em parte. É preciso prever de não se instalar em zona inundável. Estes espaços são bem conhecidos na França, em setores submetidos a possíveis tsunamis. É preciso estar-se bem informado sobre o risco corrido para se tomar suas próprias disposições. Devemos ser atores responsáveis na gestão dos riscos, reduzindo o perigo, algo que é de responsabilidade política. O perigo deve ser mostrado às populações, implementando-se políticas de reestruturação do território adaptado, e que devem contribuir para preparar os planos de antecipação em caso de crise maior.
Entre a Vale e o Planalto
| Por Luciano Martins Costa em 29/3/2011 | |
| Os jornais têm acompanhando com grande interesse a queda de braço entre autoridades do governo e o presidente da Vale, Roger Agnelli, cuja demissão foi finalmente acertada entre os principais acionistas, governo e Bradesco, e marcada para o dia 19 de abril. Nas entrelinhas, a queda de Agnelli foi aposta de dez entre dez reportagens sobre o assunto durante as últimas semanas, mas nos artigos e editoriais fica claro que a imprensa tinha opinião formada em favor de Agnelli. No entanto, as razões expostas nos textos opinativos não permitem avançar muito no entendimento do imbroglio. Os jornais repetem o mantra segundo o qual Agnelli contrariou o governo, ainda no mandato de Lula da Silva, quando demitiu 1300 funcionários e deu férias coletivas a outros 5500 após a eclosão da crise financeira internacional. Argumento pífioNa ocasião, o presidente da República chegou a divulgar que havia pessoalmente telefonado para o presidente da Vale exigindo explicações. Ele preferia anúncios de mais investimento no Brasil e mais esforço na exportação de produtos de maior valor agregado. Segundo Lula da Silva, Agnelli estava contrariando a estratégia do governo contra a crise, alimentando o pessimismo e provocando insegurança no mercado. A demissão seria, então, uma vingança de Lula? Após a posse de Dilma Rousseff na Presidência da República, o tema esfriou, mas as negociações entre o governo e o Bradesco não foram interrompidas. Os jornais ainda mantiveram o assunto em banho-maria, com exceção de alguns colunistas, que afirmavam ser intenção do governo criar a vaga na presidência da empresa para atender compromissos políticos. Mas esse argumento primário não foi comprado pelos editoriais. Interesses estratégicosFragmentos de declarações permitem deduzir, porém, que a divergência não foi superada com o fim da crise financeira e a retomada de contratações e investimentos por parte da empresa. A questão que parece ter levado ao desfecho anunciado pelos jornais se refere ao papel que o governo imagina para a Vale. Em dez anos na direção da antiga estatal, Agnelli produziu grandes lucros e levou a empresa a um posicionamento de destaque no setor, mas há quem entenda que ele priorizou resultados de curto prazo e tornou a Vale vulnerável a mudanças no mercado internacional, principalmente à decisão da China de jogar pesado no setor de minérios. O dilema por trás da questão seria, então, beneficiar o acionista ou dar preferência aos interesses estratégicos do país. Quais seriam esses interesses? O noticiário não esclarece. Mas o mercado, que já lidava com a informação da demissão do superexecutivo desde a semana passada, não deu sinais de abalo. | |
Quanto vale o cabeça da Vale
| Por Rolf Kuntz em 29/3/2011 | |
| Quanto vale a cabeça de Roger Agnelli, presidente da Vale, a segunda maior mineradora do mundo, maior exploradora de minério de ferro e maior empresa privada do Brasil? Segundo o Globo, pode valer ao Bradesco a renovação do contrato do Banco Postal, previsto para expirar em dezembro. Em dez anos, de acordo com a reportagem, o uso das agências dos Correios facilitou a abertura de mais de dez milhões de contas. Essa explicação saiu na edição de domingo (27/3). No dia anterior, a manchete do jornal havia sido forte: "Bradesco cede a governo e aceita tirar Agnelli da Vale". A rendição, segundo o texto, havia ocorrido no dia anterior, à tarde, numa reunião em São Paulo. "O Bradesco cedeu à ‘pressão massacrante’ do Palácio do Planalto", noticiou o jornal, usando uma expressão atribuída a um dirigente do banco. A vitória do governo nesse braço de ferro havia sido antecipada, na quinta e na sexta-feiras (24 e 25/3), em reportagens do Valor. Na primeira dessa mátérias, o acerto já havia ocorrido numa reunião entre o ministros da Fazenda Guido Mantega e o presidente do conselho de administração do banco, Lázaro Brandão. Segundo o Globo, o acordo só foi acertado na sexta-feira. Faltava definir o nome do sucessor de Roger Agnelli, mas o novo presidente deveria ser escolhido nos quadros da empresa, Também isso havia sido informado nos dias anteriores em outros jornais. A matéria do Globo destacou-se não só pela confirmação do acordo sobre Agnelli, mas também pela referência à "pressão massacrante". A reportagem não deu outros detalhes, mas avançou em relação às demais coberturas pela menção explícita à pressão. Pouca diferençaOs jornais vinham mencionando negociações entre o ministro da Fazenda e o representante do Bradesco, sem qualificar o estilo da conversa. Na edição de domingo, o Globo adicionou à história uma avaliação atribuída a um ministro. Ao ceder, teria dito essa fonte, o banco jogou certo porque o deixou o governo como seu devedor e reforçou sua posição de "parceiro preferencial e confiável". No último fim de semana de março, as matérias mais atraentes sobre a sucessão na Vale foram publicadas pelo Globo. O tentou levantar detalhes sobre as negociações entre o governo e o Bradesco e sobre os interesses do banco em relação ao governo. Dirigentes do Bradesco haviam resistido às investidas anteriores contra Roger Agnelli. Desde o fim de 2008, na pior fase da crise, quando a empresa demitiu cerca de 1.300 empregados, o Palácio do Planalto vinha pressionando a direção da Vale. As pressões eram explicadas, também, pelo desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ver a empresa aumentar seu investimento em siderurgia. Em 2009 e 2010 o jogo se tornou mais pesado e o presidente da República passou a trabalhar sem muito disfarce pela substituição de Agnelli. Sem dispor da maioria necessária para forçar a mudança na direção da empresa, o governo teve de tentar um entendimento com o Bradesco, outro grande acionista, mas sem sucesso até o ano passado. Não estava claro, até há pouco tempo, se a presidente Dilma Rousseff retomaria as tentativas de influir na direção da Vale e na definição de sua política de investimentos. Ela tem procurado mostrar-se distante do assunto e, pelo menos até o último fim de semana, evitou falar a respeito da sucessão na empresa. Mas o primeiro contato do ministro da Fazenda com o banqueiro Lázaro Brandão virou notícia no Estado de S.Paulo e, a partir desse momento, o reinício do jogo tornou-se assunto público. A manobra inicial do ministro Mantega foi considerada inábil no Palácio do Planalto, segundo se informou logo em seguida, mas ele continuou responsável pela negociação. A sucessão de Agnelli deverá ser decidida oficialmente na segunda quinzena de abril. Até lá, os jornais terão muitos detalhes para levantar. Nesta altura, não faz muita diferença a decisão da presidente Dilma Rousseff de se mostrar distante da questão. A voz do mercadoO presidente do Banco Central (BC) Alexandre Tombini andou empenhado em desfazer a impressão, alardeada principalmente por economistas do mercado financeiro, de uma mudança no estilo e talvez nos objetivos da política monetária. A nova política, segundo os comentários, daria menor ênfase aos juros e seria mais tolerante à inflação no horizonte de um ano. Em poucos dias ele se encontrou, mais de uma vez, com analistas do setor financeiro, com empresários de outros setores e com a imprensa. A leitura dos jornais não deixa dúvida: os jornalistas têm uma capacidade extraordinária de repetir as perguntas e de raciocinar segundo os padrões do "mercado". Os mais velhos talvez ainda sem lembrem: num tempo remoto, inflação e política monetária eram discutidas como assuntos de interesse de todo mundo e não só do setor financeiro – ou desse tal "mercado". Além disso, os velhotes ainda não muito estragados pelo tempo devem ter na memória os antigos instrumentos de política. Além da taxa de redesconto, o BC manipulava também o recolhimento compulsório e regulava a liquidez, no curtíssimo prazo, por meio de operações de mercado aberto. Algumas velhas linhas de ação foram retomadas e agora são conhecidas como "medidas macroprudenciais". | |
A natureza bipolar da imprensa
| Por Washington Araújo em 29/3/2011 | |
| Não vem de hoje o debate no Brasil sobre liberdade de expressão e, mais especificamente, liberdade de expressão nos meios impressos. É oportuno recordar que os jornais dos primeiros tempos da burguesia em ascensão assemelhavam-se tão-somente a meros produtos artesanais de transmissão das informações mercantis dos viajantes e comerciantes, e somente no século 18 alcançaram o estatuto de imprensa de opinião em função da exigência do estabelecimento de um Estado constitucional burguês. A propósito, Jürgen Habermas (1929- ), em seu Mudança Estrutural na Esfera Pública (Editora Tempo Brasileiro, l984) afirmava que a imprensa não podia deixar de se comprometer politicamente com o combate pela liberdade da opinião pública, pela publicidade e pela crítica enquanto princípios, porque a esfera pública não tinha ainda adquirido um estatuto legal e estável. O que a história mostra é uma longa caminhada dos jornais em busca de seu lugar na esfera pública. Muitos foram os filósofos e pensadores que se debruçaram sobre a questão. Por exemplo, para Immanuel Kant (1724-1804) a liberdade de imprensa era o verdadeiro paladino da liberdade, batendo-se por uma imprensa livre que não existia; e mesmo na França, onde estava instituída essa liberdade, a imprensa inscrevia-se na ordem pedagógica da cidadania, no sentido de levar ao povo as luzes da verdade, como penhor e formação da uma vontade para sempre inibitória do retorno dos velhos fantasmas absolutistas. Os animadores de notíciasE hoje, o que vemos? Muitas dessas "luzes da verdade" brilhando através de lâmpadas fabricadas pelo interesse corporativo, quando não meramente político-partidário. Não se trata mais de impedir o retorno dos "velhos fantasmas absolutistas" porque muitos desses, na verdade, nunca saíram de cena; ou pior, estiveram sempre muito próximos do fogo ateado pelas paixões políticas, pelas ideologias, pelos muitos "ismos": liberalismo, conservadorismo, socialismo. É mais que evidente que a instituição da liberdade de expressão, como a dimensão cultural da natureza bipolar da imprensa, exigia o desenvolvimento da dimensão econômica, a liberdade de empresa, vista nos primórdios da atividade jornalística instituída como condição fundamental para o exercício do debate público. E não se pode descartar que a sobrevivência material e financeira aparecia como característica primeira da liberdade de imprensa para que pudesse manifestar, sem qualquer censura, coação ou violência, as opiniões e informações contrárias ao Estado ou ao poder político. Deixemos as digressões ao largo, ao menos por alguns instantes, e vamos tentar entender isso que nossos principais jornais e revistas (ao menos em número de circulação diária ou semanal) entendem como tal. É, no fundo, um falso debate. Isto porque há Liberdade de Expressão e liberdade de expressão. Enquanto a primeira se grafa em versalete ou em caixa alta, a segunda se contenta em povoar endereços virtuais de quinta categoria, confraterniza animadamente com blogues nem sempre limpinhos e aparece sempre replicada por uma tal Teia da Cidadania que reúne os deserdados pelo capital, pelas ideias, pela fama e renome. A primeira é aquela defendida com unhas, dentes, tinta, papel, rádio, TV, internet e simpósios pelo patronato da grande imprensa, os que são proprietários de conglomerados midiáticos, os também chamados – nem sempre respeitosamente – mercadores da informação. São poucos, não perfazem duas mãos os nomes dos que detêm quase como os antigos sesmeiros do Brasil colonial o poder de tornar comerciável o que é e o que não é notícia, o que é e o que não é bom para o Brasil, a visão de mundo que desejamos e aquele mundo tóxico, sempre indesejável, que desperdiça seus recursos materiais e humanos para melhorar a paisagem, quase sempre parada, de muita pobreza e miséria. A segunda é a liberdade prima-pobre, não é tema de editoriais, nem de primeiras páginas de jornais de grande circulação; a esta são sonegadas observações lisonjeiras de jornalistas que em bancadas de telejornais de grande audiência se comportam como animadores de notícias. É a liberdade de imprensa invocada, pretendida, suplicada, requerida nos tribunais pelos sem-jornais, sem-TVs, sem-portais na internet, sem-rádios, sem-apoio financeiro de corporações empresariais. Direito restritoÉ, repito, um falso debate. Os que empunham as bandeiras de liberdade de imprensa o fazem mais para preservar "conquistas" empresariais que para defender um conceito que se contraponha ao estado de exceção que começa promovendo a censura aos meios noticiosos e ninguém sabe direito como termina. É falso porque não se ampara em intenções honestas, em defesa de princípios lídimos. Não é debate porque o lado da caixa alta – Liberdade de Expressão – detém todos os meios adequados à verbalização e imediata repercussão de seu ideário, pressupostos e conclusões. Ao outro lado, o da caixa baixa – liberdade de expressão – resta apenas o jus esperniandi, o velho direito romano e agora tão abrasileirado direito de espernear. E mesmo essa manifestação de contrariedade é quase sempre sufocada pela desqualificação dos que se atrevem a espernear: são ex-profissionais ressentidos que um dia ocuparam cargos relevantes no negócio da imprensa, jornalistas de quinta, comediantes travestidos de jornalistas, escrevinhadores saudosistas do stalinismo e por aí vai. É falso este debate porque os debatedores convidados – e os únicos com direito a voz e sua consequente repercussão – articulam sempre o mesmo discurso e o fazem com maestria, de forma que quando um editorial termina em "a" o outro começa em "e" de maneira a logo termos a sequência correta do conjunto de vogais convocadas. É curioso – bastante curioso! – que os que pugnam por mais liberdade de expressão são justamente os atores sociais que a esbanjam, que detêm o monopólio de seu uso de forma irrestrita e quase sempre discricionária. Não há dúvida que muitos anônimos anseiam por ampla liberdade de expressão, mas estes terão que se conformar com o estado de coisas – poderão se expressar da forma que quiserem, mas não poderão ser ouvidos na amplitude que se possa considerar abrangente e minimamente justa. De que adianta ter o direito de livre expressão se não existem meios para potencializá-lo, para alcançar o público-alvo pretendido? Aqueles que já passaram pelo calvário que é requerer a reposição de justiça quando seu nome é jogado ao lodaçal das más reputações, quando sua honra é enxovalhada sem que se lhe ofereça o direito basilar de autodefesa, conseguem perceber quão cruel pode ser o usufruto da liberdade de expressão tão-somente por aqueles que dispõem dos meios de comunicação massivos. E até que parcela majoritária da sociedade brasileira possa ser ouvida, de maneira equânime, ciente de que todos têm o mesmo direito perante a justiça, já que o conceito de justo – bem o sabemos – é anterior ao conceito de bem, não poderemos dizer que no Brasil a liberdade de expressão é um direito de todos e de todas. Privativo dos meios de comunicaçãoNão menos nociva é a confusão que tem sido semeada de forma bastante articulada: liberdade de expressão e liberdade de imprensa significam o mesmo. Ora, há que se pensar a liberdade de imprensa não mais apenas como um direito individual privado, mas como um direito social coletivo, fundamentado numa concepção igualitária de justiça. Fazendo isso, passamos a colocar estas ideias em seus eixos. Urge que pensemos a imprensa novamente como um espaço de reflexão crítica, consciente e esclarecida, capaz de garantir o direito de participação de cada sujeito no processo político e na prática comunicativa. Em algum dia voltaremos a tratar dessa "confusão premeditada". A farsa que se monta chega a ser perversa em sua própria natureza: a bandeira da vítima passa ser empunhada com vigor sempre redobrado pelo algoz, de forma que gradativamente o conceito de liberdade de expressão passa a ser privativo dos meios de comunicação e de seus representantes per excellence, i.e., os proprietários dos canais, dos portais, dos parques gráficos, das empresas jornalísticas em geral. E ai daquele que se aventurar a requerer como seu este direito. Entrará na história ou como vândalo das ideias ou como inocente útil manipulado por organizações da sociedade civil como mera massa de manobra – gente incapaz de pensar por si mesma e, mais que isso, incapaz de exercer seu direito à livre expressão. | |
Região Amazônica não consegue se recuperar da seca do ano passado
Estudo patrocinado pela Nasa alerta para as consequência da mudança climática na região
estadão.com.br
SÃO PAULO - A área verde da Floresta Amazônia diminuiu após a seca recorde registrada no ano passado. A conclusão foi obtida em estudo patrocinado pela Agência Espacial Americana (Nasa). De acordo com a pesquisa, a área perdida corresponde a pouco mais de três vezes o tamanho do estado americano do Texas.
Simulações feitas em computador mostraram que a sensibilidade às secas, como a ocorrida em 2010, poderá levar a uma mudança no clima, com temperaturas mais quentes e alteração nos padrões de chuva na região fazendo com que se desenvolva vegetação típica de cerrado e savana no lugar da floresta tropical. O Painel de Mudança Climática da Nações Unidas alertou para a possibilidade das secas se tornarem mais frequentes na região Amazônica no futuro.
A área afetada pela última grande seca é quatro vezes maior que a registrada na ocasião anterior, em 2005. O nível dos rios da região também foi comprometido com o ocorrido. As águas começaram a baixar em agosto e atingiram o nível mais baixo em outubro de 2010. O Rio Negro foi um dos atingidos pela seca, apresentando o menor nível de águas nos 109 anos de registros disponíveis.O estudo foi elaborado por uma equipe de cientistas de vários países, que utilizaram imagens de satélites dos últimos 10 anos para verificar o tamanho da área verde da região, usado para verificar a "saúde" da floresta. A pesquisa será publicada na revista científica Geophysical Research Letters.
Fim da pobreza no Brasil é inatingível, diz economista
Para Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, Dilma teria sido mais realista se prometesse reduzir a miséria pela metade até fim de governo
Daniel Bramatti, de O Estado de S. PauloPara o economista Marcelo Neri, especialista em políticas públicas de combate à pobreza, a meta de erradicação da miséria é inatingível, mas buscá-la é algo positivo. Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff teria sido mais realista se apresentasse como objetivo a redução da miséria pela metade até o fim de seu governo.
A declaração da presidente Dilma de que a erradicação da miséria talvez não se concretiza até 2014 é um sinal de que a meta é ambiciosa demais?
A meta é ambiciosa, sim. Teoricamente, basta existir ainda uma pessoa miserável para perder essa guerra. Seria mais realista se comprometer a reduzir a miséria à metade. Mas também é difícil ser contra a meta da erradicação. Não é possível erradicar a pobreza, mas é viável reduzir muito o peso desse problema. O fim da pobreza é uma espécie de Santo Graal: é inatingível, mas a busca por ele enobrece o espírito da sociedade brasileira.
No final de 2010 o senhor estimou que, se fosse mantido o ritmo de redução da pobreza dos anos anteriores, ainda haveria mais de 10 milhões de miseráveis em 2014. O quanto é preciso acelerar esse ritmo?Nos oito anos do governo Lula a pobreza caiu 50,6%. Desde o lançamento do Plano Real, a queda foi de 67%. Sem nenhum esforço adicional, levando-se em conta apenas os resultados anteriores, seria possível reduzir a taxa de pobreza de 15,3% para 8,6% até 2014. Ainda teríamos 16,1 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza (com renda per capita inferior a R$ 142, segundo os critérios da Fundação Getúlio Vargas). Mas esforços adicionais já têm sido feitos, como o reajuste do Bolsa Família.
Houve reajuste do Bolsa Família, mas o salário mínimo não teve ganho real. O que tem mais impacto?Seguramente o mais importante, como estratégia para combater a miséria, é aumentar o Bolsa Família. O programa atende mais a faixa etária de zero a 15 anos, onde a taxa de pobreza chega a 27,5%, O aumento do salário mínimo beneficia principalmente os mais idosos, faixa em que a pobreza é de 4,4%,
Qual o custo para levar a pobreza a taxas mínimas?Existe um cálculo que estima esse custo em cerca de R$ 22 bilhões por ano, mas, se levarmos em conta as rendas não monetárias dos pobres - o que recebem em doações, o que cultivam em lavouras de subsistência e outros itens não medidos em pesquisas oficiais -, esse custo pode cair para R$ 7 bilhões por ano. É um valor alto, mas não é absurdo.
A declaração da presidente Dilma de que a erradicação da miséria talvez não se concretiza até 2014 é um sinal de que a meta é ambiciosa demais?
A meta é ambiciosa, sim. Teoricamente, basta existir ainda uma pessoa miserável para perder essa guerra. Seria mais realista se comprometer a reduzir a miséria à metade. Mas também é difícil ser contra a meta da erradicação. Não é possível erradicar a pobreza, mas é viável reduzir muito o peso desse problema. O fim da pobreza é uma espécie de Santo Graal: é inatingível, mas a busca por ele enobrece o espírito da sociedade brasileira.
No final de 2010 o senhor estimou que, se fosse mantido o ritmo de redução da pobreza dos anos anteriores, ainda haveria mais de 10 milhões de miseráveis em 2014. O quanto é preciso acelerar esse ritmo?Nos oito anos do governo Lula a pobreza caiu 50,6%. Desde o lançamento do Plano Real, a queda foi de 67%. Sem nenhum esforço adicional, levando-se em conta apenas os resultados anteriores, seria possível reduzir a taxa de pobreza de 15,3% para 8,6% até 2014. Ainda teríamos 16,1 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza (com renda per capita inferior a R$ 142, segundo os critérios da Fundação Getúlio Vargas). Mas esforços adicionais já têm sido feitos, como o reajuste do Bolsa Família.
Houve reajuste do Bolsa Família, mas o salário mínimo não teve ganho real. O que tem mais impacto?Seguramente o mais importante, como estratégia para combater a miséria, é aumentar o Bolsa Família. O programa atende mais a faixa etária de zero a 15 anos, onde a taxa de pobreza chega a 27,5%, O aumento do salário mínimo beneficia principalmente os mais idosos, faixa em que a pobreza é de 4,4%,
Qual o custo para levar a pobreza a taxas mínimas?Existe um cálculo que estima esse custo em cerca de R$ 22 bilhões por ano, mas, se levarmos em conta as rendas não monetárias dos pobres - o que recebem em doações, o que cultivam em lavouras de subsistência e outros itens não medidos em pesquisas oficiais -, esse custo pode cair para R$ 7 bilhões por ano. É um valor alto, mas não é absurdo.
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