Quem sou eu
- José Arnaldo
- São Luís, Maranhão, Brazil
- Homem simples e comum: procuro ser gentil com as pessoas, amigo dos meus amigos e bondoso com a minha família. Sou apaixonado por filmes, internet, livros, futebol e música. Estou tentando sempre equilibrar corpo e mente, manter-me informado das notícias a nível mundial, ministrar aulas de geografia em paralelo às pesquisas acadêmicas que desenvolvo e, no meio de tudo isso, tento achar tempo para o lazer e o namoro. Profissionalmente,sou geógrafo e professor de Geografia no Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal do Maranhão (IFMA Campus Avançado Porto Franco) e Doutorando em Geografia Humana na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Membro do Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA) e do Núcleo de Estudos do Pensamento Socialista Pesquisa do Sindicalismo (NEPS), ambos da UFMA. Participo da Rede Justiça nos Trilhos.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Com Refis, Vale tem perda bilionária no 4º trimestre
Por Natalia Viri e Francisco Goés | De São Paulo e do Rio
Divulgação
A Vale encerrou o quarto trimestre com um prejuízo bilionário com a adesão ao Refis, programa do governo federal para parcelamento de dívidas tributárias ligadas a coligadas no exterior. A mineradora teve perdas de R$ 14,87 bilhões nos últimos três meses de 2013, quase o triplo do resultado negativo em R$ 5,46 bilhões de um ano antes.
Sem isso, a companhia teria ficado no zero a zero. A entrada no programa teve um impacto negativo de R$ 14,8 bilhões no balanço do período. Apesar do impacto expressivo, o valor ficou abaixo dos R$ 20,72 bilhões estimados pela direção da Vale, por conta dos descontos na dívida oferecidos pelo programa.
Do lado operacional, no entanto, o desempenho foi melhor que o registrado no quarto trimestre de 2012. O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ficou em R$ 15,13 bilhões, alta de 65,4% em relação a um ano antes. Esse número desconsidera efeitos não recorrentes, como a adesão ao Refis e baixas contábeis de ativos e ficou acima do estimado por analistas de mercado consultados pelo Valor.
O aumento nos preço do minério de ferro em relação a um ano antes e o dólar mais caro em relação ao real contribuíram para o resultado. Esses fatores compensaram a queda de 1,8% na produção da commodity em relação a um ano antes, para 81,2 milhões de toneladas. As receitas totais cresceram no período, para R$ 30,6 bilhões.
E, como já vinha ocorrendo ao longo do ano, os custos de produção ficaram mais contidos. A margem bruta da companhia cresceu 4,5 pontos percentuais, para 48%. As despesas com vendas, administrativas e com pesquisa e desenvolvimento também caíram, seguindo a estratégia prometida pela empresa de botar o pé no freio para focar em rentabilidade.
Aqui, no entanto, os efeitos "não recorrentes" voltaram a fazer estrago. No quarto trimestre de 2013, a mineradora fez uma baixa de R$ 5,39 bilhões referente à operação de potássio Rio Colorado, na Argentina, reconhecendo as perdas com a unidade, cuja produção está suspensa desde o começo do ano passado.
Ainda assim, as perdas com baixas de ativos foram menores que aquelas feitas no quarto trimestre de 2012, quando a Vale fez ajustes de mais de R$ 8 bilhões, como parte da estratégia de abrir mão de projetos que já não davam o retorno esperado.
Desconsiderando os efeitos "não recorrentes" que assombraram a companhia ao longo de todo o ano, como adesão ao Refis e baixas de ativos, a mineradora teria tido lucro de R$ 7,4 bilhões no quarto trimestre, 91,7% a mais do que um ano antes. Em 2013, o lucro foi de apenas R$ 115 milhões, contra ganhos de R$ 9,89 bilhões do ano anterior. Sem os fatores "pontuais", o resultado seria positivo em R$ 26,72 bilhões, alta de 30,1% sobre 2012.
O diretor executivo de finanças da Vale, Luciano Siani, comemorou o fato de a empresa ter fechado o ano no azul mesmo toda a "faxina" nos resultados da empresa. Ele lembrou que a valorização do dólar em relação ao real no período pesou sobre as dívidas da companhia e destacou o bom resultado do Ebitda. O indicador ajustado, sem fatores não recorrentes, aumentou 50% em dólares em 2013 em relação ao ano anterior como resultado de recordes nas vendas.
Siani também destacou o papel da redução de custos nos resultados do ano. A empresa registrou uma economia de US$ 2,8 bilhões quando se compara custos e despesas de 2013 com 2012. Segundo ele, 2013 deve ser lembrado como o ano em que a Vale conseguiu eliminar grande parte das incertezas que rondavam a companhia, como a adesão ao Refis e a obtenção da licença ambiental para o maior projeto da história da companhia, o S11D, em Carajás, no Pará. Outro ponto destacado pelo executivo foi a melhora no segmento de metais não ferrosos da companhia.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Embarque clandestino de crianças e adolescentes na Estrada de Ferro Carajás é investigado
Por CombateRacismoAmbiental, 24/02/2014 15:01
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Foto: Marcelo Cruz
Foto: Marcelo Cruz
Rede Justiça nos Trilhos
“Meninos do Trem”, assim é conhecida a problemática do embarque clandestino de crianças e adolescentes nos trens de cargas do Corredor de Carajás. O problema já se tornou um fenômeno e é pesquisado pelo Ministério Público Estadual do Maranhão há mais de 10 anos. Com o objetivo de investigar a responsabilidade da empresa Vale S.A. como concessionária da Estrada de Ferro Carajás (EFC) sobre a segurança do transporte, o MPE, por meio do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude (CAOP-IJ), acompanha a pesquisa de um engenheiro canadense por todo o corredor de Carajás.
Com esse estudo pretende-se elaborar um parecer técnico que seja usado como análise crítica do sistema de segurança da empresa Vale. O foco das investigações são os embarques e desembarques clandestinos de crianças e adolescentes, mas a perícia não deixa também de analisar outros problemas ligados a segurança, ou a falta dela, como atropelamentos, interrupção das vias de acesso das comunidades, entre outros.
De acordo com Márcio Thadeu Silva Marques, Promotor da Vara da Infância e da Juventude de São Luís, que acompanha o caso, “há relatos de meninas que abortaram, perderam parte do pé, casos de atropelamento, casos de ferimento, a questão está relacionada também com o trabalho infantil, a exploração sexual, a prática de ato infracional, tráfico de drogas…”.
A pesquisa “Crianças e adolescentes viajando clandestinamente nos trens da Estrada de Ferro Carajás”, realizada pela Agência de Notícias da Infância (MATRACA, 2013) em parceria com o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Maranhão (CEDCA) denuncia a situação das viagens clandestinas nos municípios cortados pela EFC e esclarece que no período de 2001 a 2012 foram registrados 136 casos de crianças e adolescentes inseridas nessa problemática. Segundo a pesquisa há uma incidência de desrespeito aos direitos desses atores.
Para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), as práticas de segurança realizadas pela empresa Vale seguem as normas estabelecidas. A Promotoria discorda, porque os registros de embarques e desembarques clandestinos não param. “Temos a firme convicção de que o número do problema é bem superior aos 136 casos registrados pela pesquisa feita em parceria com o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente no Maranhão envolvendo dados entre 2001 e 2012”, afirmou Márcio Thadeu.
O promotor explica que há um expressivo número de casos que não são localizados, identificados e registrados. A quantidade de crianças e adolescentes em situação de rua em São Luís é um dos efeitos constatados pelo MPE, muitas dessas crianças embarcam nas viagens clandestinas no estado do Pará e desembarcam na capital maranhense.
A partir dessa constatação começou-se a construir uma rede articulada entre a Promotoria da Infância e da Juventude do Maranhão e outras articulações no enfretamento ao problema, como a Rede Justiça nos Trilhos, Ministério Público Federal, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Maranhão, Associação dos Conselheiros e ex-Conselheiros Tutelares do Maranhão, Defensoria Pública da União e Defensoria Pública Estadual.
Essas instituições iniciaram um trabalho de defesa das crianças e adolescentes e começaram a construir estratégias para uma solução. Em 2006 o Ministério Público, por meio da Promotoria da Infância da comarca de Santa Luzia, moveu uma ação contra a Vale, alegando a responsabilidade da empresa na prevenção do problema. O resultado da ação garantiu uma liminar proibindo o ingresso dessas crianças e adolescentes nos trens de carga, no território de Santa Luzia, sob a pena de multa diária para a empresa Vale de 20 mil reais.
Uma audiência pública sobre o tema foi realizada na Assembleia Legislativa de São Luís, em março de 2012, com a presença de autoridades do sistema de justiça do Pará e do Maranhão e grande visibilidade na imprensa.
Depois da sentença da juíza da comarca de S. Luzia e da audiência que destacou a gravidade, longo de décadas, do problema dos “meninos do trem”, a Vale decidiu negociar um acordo com o MPE para resolução do problema. Foi esse acordo que determinou a realização por parte da empresa de um “Plano de Segurança da EFC” e a contratação de um perito externo que avaliasse as questões de segurança ao longo da ferrovia e o próprio plano da empresa.
“Nunca existiu um plano integrado de gestão e segurança para evitar o fenômeno dos embarques clandestinos de pessoas nos trens de minério” – comenta padre Dário Bossi, da Rede Justiça nos Trilhos. “Chegou-se ao absurdo da empresa Vale comentar a contratação de um perito estrangeiro como sua iniciativa e prova de sua preocupação para com a segurança. Bem sabemos, ao contrário, que se tratou de uma obrigação dentro de um acordo que a empresa aceitou pela conveniência de evitar multas e condenações judiciais, depois de anos que o problema estava sendo investigado e denunciado”.
O especialista canadense que vai produzir o contra-relatório sobre segurança ao longo da EFC é engenheiro ferroviário, com 39 anos de experiência, e encerrou na última sexta-feira (21) uma série de visitas pelo Corredor de Carajás, encontrando em vários municípios os responsáveis pelo sistema de garantias de direitos para crianças e adolescentes, além de movimentos sociais e lideranças comunitárias. “Ele também se reuniu com técnicos da Vale, teve acesso a algumas informações e a ideia é de que tudo isso possa subsidiar o seu parecer, a sua crítica sobre o plano de segurança”, afirmou o promotor Márcio Thadeu.
Nas próximas semanas, o perito canadense entregará ao MPE o parecer final e começará a etapa conclusiva, na qual MPE e Vale deverão redigir um plano eficaz que definitivamente solucione o problema do embarque clandestino de crianças e adolescentes nos trens da EFC e garanta maior segurança para as comunidades atravessadas pela ferrovia.
Outras denúncias sobre impactos provocados pelo barulho, as vibrações do trem e a média de um acidente mortal por mês ao longo da ferrovia poderão se beneficiar da perícia coordenada pelo MPE do Maranhão.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
ONGs cobram atuação do MPF contra espionagem da Vale
Por CombateRacismoAmbiental, 17/02/2014 14:33
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Vale: a mineiradora é acusada por espionar ativistas de uma lista de organizações, como o Movimento de Atingidos pela Vale, o MST e ONG Justiça dos Trilhos
Vale: a mineradora é acusada por espionar ativistas de uma lista de organizações, como o Movimento de Atingidos pela Vale, o MST e ONG Justiça dos Trilhos (Kiko Ferrite/EXAME)
Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil
Organizações de direitos humanos voltaram a cobrar nesta semana investigações sobre as denúncias de espionagem de ativistas e de movimentos sociais pela mineradora Vale e pelo consórcio Norte Energia, responsável pela obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (PA). As entidades consideram insatisfatórias as investigações sobre as denúncias apresentadas em 2013 para autoridades no Congresso Nacional e para o Ministério Público Federal.
“Há um esquema privado que acessa banco de dados do governo federal e que vende [as informações] para outras empresas. Esses dados se referem a informações biográficas, de pessoas e de organizações”, disse a advogada Alexandra Montgomery, da organização não governamental (ONG) Justiça Global. Ela integra o grupo que elabora relatório sobre o andamento das denúncias e que trará recomendações ao governo brasileiro. O documento fica pronto em abril.
A Vale é acusada por espionar ativistas de uma lista de organizações, como o Movimento de Atingidos pela Vale, o Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e ONG Justiça dos Trilhos, que atua no Maranhão. Esta última é responsável por denunciar a mineradora à Justiça por acidentes na Ferrovia Ferro Carajás, que leva minério do interior para a capital do estado, e por cobrar reparação a comunidades locais, por danos socioambientais.
O advogado da Justiça dos Trilhos, Daniel Chammas, um dos espionados, denuncia escutas telefônicas, interceptação de e-mails e acesso ilegal a informações confidenciais. Segundo ele, o site da organização foi invadido várias vezes e a sede da instituição arrombada em circunstâncias suspeitas. Nada foi roubado.
“Vivi parte de minha infância sob a agonia da ditadura militar, quero agora completa 50 anos. Estou passando agora o mesmo processo angustiante, quero viver em paz e fazer o meu trabalho”, declarou.
Denúncias feitas por um ex-empregado da Vale, tornadas pública no fim de 2013, em audiência no Senado Federal, indicam que a mineradora teria pago até R$ 500 mil a agentes privados e a servidores públicos para monitorar pessoas e obter dados do sistema integrado do governo. O esquema teria obtido também a colaboração de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), vinculados às Forças Armadas, segundo o dossiê.
“Esses documentos, do ex-empregado, orientam a Vale a classificar os acidentes ferroviários e os atropelamentos por trem, como suicídio ou desova de cadáveres, com a cumplicidade da força policial”, disse a advogada da Justiça Global. “Isso dá uma dimensão do que um setor de inteligência dentro de uma empresa privada é capaz”, completou. A ONG Justiça dos Trilhos cobra da Vale segurança na ferrovia.
ONGs cobram atuação do Ministério Público em espionagem de ativistas que se posicionam contra a construção da Usina de Belo Monte Regina Santos
ONGs cobram atuação do Ministério Público em espionagem de ativistas que se posicionam contra a construção da Usina de Belo Monte (Regina Santos)
As ONGs Justiça Global e Observatório de Proteção dos Direitos Humanos também acusam o consórcio Norte Energia de espionar o Movimento Xingu Vivo para Sempre, contrário à hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Os ativistas registraram em vídeos e imagens testemunhos de pessoas infiltradas para repassar informações ao consórcio. Um das pessoas pagas chegou a filmar reuniões.
Para tentar pôr um fim à violação de privacidade, que afeta a atuação das ONGs, e põe em risco a vida dos ativistas, elas reivindicam que a Procuradoria-Geral da República (PGR) articule a atuação do Ministério Público nos cinco estados. No Rio, sede da Vale, os ministérios públicos federal e estadual já recusaram as denúncias das entidades de direitos humanos.
As entidades também levaram as denúncias sobre espionagem contra a Vale e a Norte Energia para órgãos de direitos humanos das Nações Unidas (ONU). “Há uma grande preocupação com aumento da violência contra defensores de direitos humanos que se opõem a grandes obras”, destacou a advogada da Justiça Global.
Procurados pela Agência Brasil, a mineradora Vale e o consórcio Norte Energia não comentaram as denúncias.
Edição: José Romildo
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Juiz emite sentença de desapropriação de terreno para o reassentamento de Piquiá de Baixo
Por CombateRacismoAmbiental, 13/12/2013 17:39
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Rede Justiça nos Trilhos
Os moradores de Piquiá de Baixo comemoram mais uma vitória. Na última quarta-feira (11), o Juiz Dr. Ângelo Antônio Alencar dos Santos emitiu a sentença de desapropriação do terreno para onde serão reassentadas 312 famílias do bairro, por não terem mais condições de sobreviver em meio à poluição das siderúrgicas instaladas aos arredores das casas.
A sentença estipulou em 1milhão e 30 mil reais como indenização do terreno que está localizado às margens da BR222, próximo do Posto da Polícia Federal de Açailândia. Com isso, chega-se à definição da discussão em âmbito judiciário e a Prefeitura poderá desde já regularizar a propriedade do terreno, para em seguida transferi-lo à Associação Comunitária dos Moradores de Piquiá.
Enquanto aguardava a sentença, a Associação de Moradores não parou de trabalhar e já está com o projeto urbanístico e habitacional elaborado, prestes a ser aprovado pela Caixa Econômica Federal para financiamento pelo “Programa Minha Casa Minha Vida”. Os moradores encaram a conquista definitiva do terreno com grande alegria, pois o avanço para o início da construção das novas moradias é grande.
Para celebrar esse momento os moradores do bairro estarão colocando no novo terreno conquistado uma placa em nome da Associação Comunitária na entrada do novo bairro.
Nesse contexto de importantes de vitórias, eles comemoram também o apoio político da Câmara Municipal de Vereadores de Açailândia. Na quarta-feira 11 à noite, a Câmara aprovou o Plano Plurianual de orçamento do Município, no qual por moção aprovada em unanimidade, está sendo inserido um recurso específico para o reassentamento do Piquiá de Baixo.
Na manhã de quinta (12), membros da Associação Comunitária de Moradores de Piquiá de Baixo reuniram-se com vários vereadores solicitando o apoio formal da Câmara e definindo como encaminhamento uma reunião urgente, a ser realizada na próxima semana, com as secretarias municipais que virão a ser interessadas no processo de construção do bairro.
Nessa mesma quinta, à noite, a Associação de Moradores do Piquiá encontrou-se com as diretorias da Associação Comercial e Industrial de Açailândia (ACIA), do Sindicato do Comércio Varejista (SICA) e da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Açailândia (CDL), para estipular parcerias e debater sobre futuras instalações no novo bairro
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
MANIFESTAÇÃO DE APOIO ÀS REIVINDICAÇÕES POR RESIDÊNCIA NO CAMPUS E PARTICIPAÇÃO ESTUDANTIL NA UFMA - ESTUDANTES DO PROGRAMA DE PÓS – GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
Ao Magnífico Reitor da Universidade Federal do Maranhão
Prof. Natalino Salgado.
Nós, estudantes do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, apoiamos a luta dos moradores das Residências Universitárias – REUFMA, CEUFMA e LURAGB, mobilizados em torno dos seus direitos à moradia no Campus Universitário do Bacanga. Afirmamos a legitimidade e o interesse coletivo da demanda e apoiamos o ato corajoso – e até mesmo sacrificante – dos nossos colegas estudantes em evidenciarem a repulsa causada a todos nós, também estudantes, aos atos autoritários e de legalidade e transparência duvidosas cometidos por essa Reitoria.
Causa-nos indignação e revolta a decisão dessa Reitoria e de seu Colegiado em compulsoriamente desviar a finalidade do prédio construído para residência universitária, violando o direito à moradia dos estudantes no interior do campus dessa Universidade e contrariando Termo de Ajuste de Conduta firmado entre essa Universidade e o Ministério Público Federal, em 2007.
A centralização da administração dessa Universidade, em dois mandatos do prof. Natalino Salgado, é notória, tanto é que as próprias Pró-Reitorias não tem autonomia, iniciativa e poder para resolver questões inerentes as suas pastas. É uma enorme contradição destinar o prédio da Casa dos Estudantes para a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis que, sequer, teve iniciativa, poder ou autonomia para encaminhar um assunto de sua competência.
Causa-nos maior terror, verificar a insensibilidade dessa Reitoria e de seu Colegiado, bem como a intransigência de reconsiderarem suas decisões que desrespeitam Termo de Ajuste (com força executória judicial), violam direitos humanos, sociais e a dignidade de alunos. Estes, consabidamente, enfrentam uma realidade de desolamento social no Estado do Maranhão para terem acesso a uma educação que deveria empoderá-los e ajudá-los a combater a injustiça social para si, para as sociedades maranhenses e suas futuras gerações.
Todos nós, estudantes, não aceitamos permanecer confinados em espaços superlotados e impróprios para moradia dos que deixam suas cidades e familiares para realizarem o sonho de adentrarem uma universidade pública federal. Envergonha-nos precisar contar com o apoio de moradores solidários das comunidades do entorno - para o fornecimento de água, alimentação aos finais de semana e abrigo - porque não podemos contar com a assistência que nos deveria ser garantida, por direito, pela administração dessa Universidade.
Sensibilizados, lembramos da coragem dos acadêmicos de Ciências Sociais, Turismo e Ciência da Computação que, ao iniciarem greve de fome em prol da nossa causa coletiva, foram capazes de canalizar para as dores de suas próprias carnes a luta por uma moradia digna para todos os estudantes dessa universidade. Manifestamos, desde já, a nossa preocupação com suas vidas, saúde, moradia e clamamos pela assistência imediata aos nossos colegas Josemiro Oliveira, Daniel Fernandes e Rômulo Santos. Desde já, manifestamos não apenas a nossa solidariedade, mas deixamos consignada a nossa comunhão de objetivos e a nossa união pela mesma causa que, incessantemente, ajudaremos a propagar.
Deixe-se claro que não serão aceitos conluios com o IPHAN ou governo do Estado para a ocupação de casarões históricos alugados que, além de estarem situados fora do campus, estão tão abandonados que precisam de reformas e manutenções onerosas, as quais não devem jamais ser custeadas pelo recurso público dessa Universidade em favor de proprietários/locadores.
Cansados de reuniões, diálogos autoritários, desvios de finalidade pública na gestão do espaço, falta de transparência em obras públicas e promessas não cumpridas e, em nome dos estudantes em greve de fome há quase 10 dias, manifestamos o nosso repúdio ao atual estado de gestão da nossa Universidade. Declaramos com todas as letras: não aceitamos hoje tal quadro e nem aceitaremos amanhã essa postura pouco dialógica, insensível, pouco transparente e punitiva às expressões opositoras.
Ressaltamos que as entidades representativas dos estudantes e dos docentes, DCE, Grêmio do COLUN, coordenações das Casas Estudantis e APRUMA, tem o dever de se colocarem na luta em favor dos direitos de todos os estudantes. Portanto, afirmar que o movimento é dessas entidades é uma atitude leviana que exemplifica mais um ato de autoritarismo e arrogância daqueles que não toleram uma universidade que inclua os setores populares em seu quadro discente.
Por nossa própria iniciativa, por solidariedade a uma causa que é de todos nós e indignação coletiva, deixamos claro que, a partir de agora, e muito mais do que anteriormente, levantamos nossas bandeiras de insatisfação contra as medidas autoritárias tomadas ao longo dos anos, e, ao mesmo tempo, exigimos transparência nas contas públicas e participação dos discentes nas decisões sobre a ocupação e gestão dessa Universidade.
No aguardo de uma postura dialógica e sensível à gravidade dos fatos, nos unimos às centenas de vozes que conclamam a essa Magnífica Reitoria: devolva a Casa dos Estudantes no campus!
Atenciosamente,
Alunos e alunas do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFMA
São Luis, 04 de dezembro de 2013
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
David Harvey: “O capital está indo bem, mas as pessoas estão indo mal”
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Piero Locatelli – Carta Capital
Para
o geógrafo britânico David Harvey, que escreve sobre urbanização a partir do
marxismo, os problemas das cidades criam novas formas de fazer política / O
geógrafo esteve no Brasil para lançar livro publicado nos Estados Unidos em
1982
Os
problemas urbanos criam um espaço onde novas formas de fazer política podem
acontecer. Para o geógrafo britânico David Harvey, 78 anos, é possível
constatar isso ao olhar os protestos que ocorreram ao redor do mundo nos
últimos anos. “Não vejo as instituições políticas respondendo ativamente a este
novo jeito de fazer política. Mas também não acho que esses movimentos
saibam o que fazer”, diz Harvey.
Professor
da Universidade da Cidade de Nova York, Harvey falou com a reportagem de
CartaCapital em São Paulo, antes de lançar o livro Os limites do
capital (Editora Boitempo), publicado originalmente em 1982 e agora
traduzido para o português. No livro, Harvey aborda a dinâmica da urbanização a
partir de uma interpretação minuciosa do legado do filósofo alemão Karl Marx.
Harvey
é um dos principais estudiosos de Marx na atualidade. Suas aulas sobre o
primeiro volume d’O capital de Marx, disponíveis na internet, foram
vistas mais de um milhão de vezes. Para o geógrafo, a onda de neoliberalismo
iniciada nos anos 1980 faz com que a obra do alemão esteja mais atual do que
nunca. Leia abaixo a entrevista, feita nesta semana em São Paulo:
Na
nova introdução de Os limites do capital, o senhor escreve que o
livro é mais relevante hoje do que ao ser lançado, há trinta anos. Por quê?
Porque
a ascensão do neoliberalismo nos trouxe de volta ao tipo de mundo que Marx
descreveu. Marx, e seu livro O capital, consideravam um mercado
funcionando perfeitamente, como [o economista liberal] Adam Smith havia
sugerido. Em 1970, nós não tínhamos mercados que funcionassem perfeitamente.
Havia muita intervenção estatal, medidas de redistribuição de renda e um
sistema forte de impostos, e a Europa tinha o estado de bem-estar social.
Quando chegamos aos anos 1990, o que estava acontecendo era familiar e tinha um
paralelo com O capital de Marx.
O
interesse na obra de Marx tem crescido junto com sua relevância?
Sim.
Desde 2008, todo mundo percebeu que o capitalismo não é um sistema perfeito, e
que não é a prova de crises. Marx é o principal teórico que explica como e onde
a crise irrompeu, por isso há tanto interesse nele.
O
senhor se refere ao “direito à cidade” como o poder coletivo das pessoas nos
processos de urbanização, conforme definido pelo sociólogo francês Henri
Lefebvre na década de 1960. Como a ideia de direito à cidade tem sido
usada hoje em dia?
Acho
que o direito à cidade é um conceito genérico, e todo mundo tenta
reivindicá-lo. Agentes imobiliários, financeiros e pessoas ricas têm feito
isso. A questão é: quem consegue preencher esse conceito com seu significado
particular? Para o direito à cidade ser parte de um movimento social efetivo,
as populações marginalizadas e oprimidas têm de tratar desse tema como elas
próprias o visualizam, para assim tomar controle do processo de urbanização.
Em
muitas partes do mundo o movimento dos trabalhadores tem se enfraquecido, e as
revoltas urbanas emergiram como uma das arenas de luta anticapitalista. As
pessoas estão buscando um jeito de olhar para essas lutas, e a ideia do direito
à cidade agora é mais aceita como parte do que a esquerda deve fazer.
Os
protestos no Brasil começaram com o aumento na tarifa de ônibus em São Paulo. O
senhor vê paralelo com o começo de outras revoltas ao redor do mundo?
Há
um grande descontentamento pelo mundo. O capital está indo bem, mas as pessoas
estão indo mal. E essa diferença é vista de forma mais clara na qualidade da
vida urbana. As pessoas estão vendo recursos enormes gastos em obras e projetos
espetaculares, mas que não são gastos para melhorar a vida da maioria da população.
Por
isso, há uma raiva dissipada que é alavancada por um motivo particular. Aqui,
foi a questão das tarifas. Em Istambul, o governo queria colocar um shopping no
lugar de um parque tradicional. Nestes e outros casos, é uma insatisfação com a
qualidade de vida urbana. E a insatisfação com a vida urbana é construída pelo
capitalismo.
Os
protestos de junho no Brasil foram iniciados pelo Movimento Passe Livre, um
movimento horizontal e sem líderes. Por que esse tipo de organização tem tido
mais predominância nas revoltas dentro da cidade, em vez de partidos de
esquerda e sindicatos?
Os
problemas urbanos criam um espaço onde novas formas de fazer políticas podem
acontecer, como foi no caso das passagens de ônibus aqui no Brasil. Todas as
organizações que tenho visto buscando a mudança na qualidade de vida urbana não
usam as mesmas estratégias dos sindicatos e partidos políticos de esquerda,
porque os problemas de organizar uma cidade são muito diferentes dos problemas
de organizar um sindicato em uma fábrica. Então há uma forma nova de fazer
política que está emergindo. E a esquerda convencional tem quer lidar com essas
novas formas.
O
que faz esses grupos terem apoio do resto da população e gerarem revoltas
urbanas?
O
que transforma o ativismo desses grupos em algo maior é a resposta policial, é
o poder público usando a violência para responder a manifestações legítimas. E
aí, claro, as pessoas vão às ruas contra a violência policial e movimento ganha
uma nova escala. Isso aconteceu na Turquia e no Brasil.
Há
ainda uma tendência de militarizar a vida urbana cotidiana. E isso não acontece
somente em manifestações, mas no dia a dia. Em Nova York, por exemplo, a
polícia pode parar qualquer negro na rua e revistá-lo. Isso cria um grande
ressentimento com as chamadas autoridades. Começam conversas sobre quem
controla a cidade e porque estão a controlando desta forma. Isso se transforma
numa questão geral, que passa pela classe média e às vezes até pessoas ricas se
envolvem, porque nem eles querem viver numa sociedade tão autoritária.
No
Chile, líderes de revoltas por uma educação pública foram eleitos para o
Parlamento. Outros países não tiveram essa migração das ruas para os gabinetes.
Como você vê a relação entre esses movimentos e a política institucional?
Não
vejo as instituições políticas respondendo ativamente a este novo jeito de
fazer política. Mas também não acho que esses movimentos saibam o que fazer. A
resposta à eleição de pessoas como Camila Vallejo, por parte de alguns
estudantes do Chile, foi dizer que os eleitos não seriam capazes de fazer nada
no parlamento, e a mudança de verdade teria de vir das ruas.
Mas
acho que sair totalmente do Parlamento não seria bom. Há certo cinismo na
esquerda. Além disso, há também uma concepção ideológica de anarquistas e
autonomistas de que se candidatar a uma vaga seria uma traição do seu modo de
fazer política. Acho isso uma pena, porque nós precisamos de todas as
possibilidades de ativismo agora.
Mas,
com as atuais limitações dos sistemas políticos, para que serviria a ação
dentro da institucionalidade?
Acho
importante que a ação direta seja sempre acompanhada por gente próxima às
entranhas do poder estatal. Assim, por exemplo, seria possível mitigar o uso
arbitrário de força estatal contra esses movimentos. Ou, ainda mais
positivamente, o Estado possa ser reorientado para tomar ações efetivas contra
a acumulação de capital por meio da urbanização.
O
senhor tem falado, nos últimos anos, da necessidade de unificar a esquerda e o
ativismo descentralizado que têm surgido ao redor do mundo. O Senhor tem visto
esse movimento acontecer? Como isso poderia ser feito?
Lamento
o fato de que a esquerda está ficando mais fragmentada do que unificada, porque
há problemas que necessitam de ações globais, como o aquecimento global e
outras arenas onde a política está sendo trabalhada mundialmente.
Atualmente
há uma grande receptividade a novas ideias, mas nós não temos uma boa forma
organizacional para formar uma estratégia compreensiva e global. Acho que isso
é algo que precisaríamos, mas como fazemos isso? Se eu tivesse a resposta, não
estaria aqui falando contigo
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