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Homem simples e comum: procuro ser gentil com as pessoas, amigo dos meus amigos e bondoso com a minha família. Sou apaixonado por filmes, internet, livros, futebol e música. Estou tentando sempre equilibrar corpo e mente, manter-me informado das notícias a nível mundial, ministrar aulas de geografia em paralelo às pesquisas acadêmicas que desenvolvo e, no meio de tudo isso, tento achar tempo para o lazer e o namoro. Profissionalmente,sou geógrafo e professor de Geografia no Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal do Maranhão (IFMA ­ Campus Avançado Porto Franco) e Doutorando em Geografia Humana na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Membro do Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA) e do Núcleo de Estudos do Pensamento Socialista Pesquisa do Sindicalismo (NEPS), ambos da UFMA. Participo da Rede Justiça nos Trilhos.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

David Harvey: UE tem que entender que alternativa a Syriza na Grécia é partido fascista

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Em entrevista exclusiva, o geógrafo marxista britânico analisou ainda diálogo entre Cuba e EUA, papel do papa Francisco e situação da esquerda brasileira
Felipe Amorim – Opera Mundi
O geógrafo britânico David Harvey tem dezenas de livros publicados e trajetória acadêmica reconhecida por seu pioneirismo no estudo das dinâmicas globais do capitalismo, mas não consegue entender a União Europeia. “O que eles estão fazendo é realmente incompreensível, completamente irracional.” Harvey se refere ao tenso processo de negociação sobre a dívida grega entre o governo de Atenas e os credores internacionais da troika.
De um lado, o partido esquerdista Syriza, eleito por seu forte discurso antiausteridade, que se recusa a aceitar o receituário neoliberal de Bruxelas; do outro, os líderes europeus, tímidos ao propor concessões para renegociar o pagamento e, muito menos, cogitar o perdão da dívida. “Me parece muito claro que o Syria vai sair da UE. Eles vão ser chutados do bloco, porque não vão dar calote nas promessas feitas aos gregos”, prevê o acadêmico. Para Harvey, a troika só não cogita perdoar o déficit — que, como ressalta o geógrafo, ela própria reconhece como impagável — para não deixar um precedente aberto a outros endividados europeus, como Espanha, Portugal, Itália e Irlanda.
O que mais chama, entretanto, a atenção de David Harvey é o perigo da tensão dessa negociação, algo ignorado pelos líderes europeus. “A UE vai se arrepender caso pressione o Syriza a ponto de fazê-lo falhar”, diz. Para o pensador, a alternativa mais provável na Grécia em caso de fracasso dos esquerdistas é a ascensão da legenda fascista da extrema-direita, o Aurora Dourada, a terceira mais votada nas últimas eleições. “Apoiar a esquerda grega vai no melhor dos interesses para todos os políticos”, arremata.
O britânico de 79 anos, tido como um dos mais influentes marxista da atualidade — e que só começou a ler Karl Marx aos 35 — está no Brasil para participar, entre outros eventos, do Seminário Internacional Cidades Rebeldes, organizado pelo Sesc São Paulo e pela Boitempo Editorial, que, ao completar 20 anos, lança o título Paris, capital da modernidade, do geógrafo.
Em entrevista exclusiva a Opera Mundi, David Harvey, além de comentar a crise grega, que terá seu desfecho determinado ao longo das próximas semanas, falou também sobre as vitórias recentes de movimentos de minorias no mundo; chamou a atenção para a universalidade da agenda antiausteridade; discutiu a reaproximação entre Cuba e Estados Unidos; elogiou o papa Francisco; e, analisou a situação da esquerda brasileira em tempos de ajuste fiscal e terceirização: “O PT estaria numa situação muito melhor se tivesse mantido fortes laços com os movimentos sociais”.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista com o geógrafo britânico David Harvey:
Opera Mundi: Ao longo deste ano, temos visto alguns feitos interessantes para os movimentos de minorias em algumas partes do mundo. Foi o caso da coalizão árabe-judaica nas eleições em Israel, os resultados expressivos dos escoceses no Reino Unido e dos curdos na Turquia. Além da vaia em massa contra o hino espanhol de bascos e catalães em uma partida de futebol. Como explicar esse bom momento da agenda autonomista?
David Harvey: Sem dúvidas, há um clamor por políticas mais descentralizadas, políticas que sejam mais próximas do povo. O que vemos em muitos países, como por exemplo nos Estados Unidos, é um ressentimento contra o governo federal e o desejo de ter os estados com mais autonomia em relação a esse governo central. Porque as pessoas sentem que o que elas dizem importa em um nível local. E há um desejo por isso, que certas vezes é expressado na forma de alianças regionais: Catalunha, Escócia, norte da Itália e Baviera são exemplos de frações que buscam mais autonomia. E muitas vezes isso se trata de nacionalismo local.
OM: De que forma isso se relaciona, na Europa, com o contexto pós-crise econômica imposto pela troika e suas políticas de austeridade?
DH:  Há uma conexão desse fenômeno com o discurso antiausteridade que considero muito importante. As políticas anti-troika foram injetadas dentro de muitos desses movimentos locais. Querem criar um espaço autônomo, em que não sejam governados por essas políticas austeras, que são sempre definidas por uma autoridade central.
Essa insurreição de políticas antiausteridade, e sua expressão em níveis locais, tem se transformado num fenômeno importante, em particular no contexto europeu. Então, é muito relevante vermos pessoas progressistas eleitas para as prefeituras de Barcelona e Madri. São movimentos de massa que não se importavam muito com a política anteriormente e, agora, são influenciados e influenciam a política de formas muito cruciais. E veremos muito mais coisas desse tipo, em que movimentos por autonomia local passam a se conectar com o discurso antiausteridade. Vemos elementos disso em Portugal, Irlanda e Itália, por exemplo. E esse, é claro, é o caso da Grécia, em que o país basicamente diz: ‘basta, já tivemos o suficiente dessa austeridade por sete anos, queremos uma política antiausteridade e estamos nos mobilizando para isso’.
OM: Junho será um mês crucial para definir o futuro da negociação sobre a dívida grega entre o governo esquerdista do Syriza e os credores internacionais. Qual a melhor saída para o premiê Alexis Tsipras?
DH: Acho que ele está numa posição difícil ao enfrentar a seguinte escolha: dar um calote em suas promessas ao povo que os elegeu; ou então dar um calote na dívida. E, até aqui, eles tentaram deixar claro à União Europeia que não vão dar esse calote na população. É claro que a UE passou a empreender uma guerra contra eles; e o Syriza modificou suas propostas um pouco aqui e outro tanto ali, mas também manteve sua posição.
OM: Qual desfecho o senhor enxerga para esse impasse?
DH: Me parece muito claro que o Syriza vai sair da UE. Eles vão ser chutados do bloco, porque não vão dar default em suas promessas para a população. Mas o perigo é que, se o Syriza falhar — e voltar a registrar apenas os 3% das preferências da população grega como fazia nas eleições muitos anos atrás —, o único outro partido capaz de seguir à frente com os interesses gregos é a legenda fascista de extrema-direita, a Aurora Dourada. Eles [os líderes da União Europeia] vão se arrepender muito se pressionarem o Syriza a ponto de fazê-lo falhar, vendo, então, o crescimento de um governo fascista na Grécia. Mas, como assistimos em muitas partes da Europa, com a ascensão de correntes fascistas na Hungria, França, Bélgica e Holanda, essa tendência de ultradireita surge como uma alternativa política muito forte no momento. Dessa forma, vai ser no melhor dos interesses de todos os políticos dar apoio à esquerda.
OM: A União Europeia não foi capaz de perceber essa ameaça? Por que não adotar outra estratégia de negociação com Atenas?
DH: Eu realmente não sei o que eles acharam. O que eles estão fazendo é realmente incompreensível. Digo, todos os documentos que lemos admitem diretamente que absolutamente não há nenhuma maneira pela qual a Grécia pode pagar a dívida. Não tem jeito. E eles mesmos [os credores] dizem isso, em relatórios do FMI, da troika. Isso é completamente irracional. Se não tem nenhum jeito de pagaram a dívida, a única coisa a fazer é perdoar a dívida e seguir em frente, certamente com algumas penalidades envolvidas, mas é o que deveria ser feito. E a UE está se recusando a fazer isso não por causa da Grécia, mas por causa de Portugal, Espanha, Itália, Irlanda. É um ato político que estão fazendo.
OM: Como o senhor enxerga a reaproximação diplomática entre Cuba e os Estados Unidos? Que efeitos essa abertura terá na sociedade cubana?
DH: Vejo essa questão a partir de duas perspectivas. Na primeira, penso o quão irracional foi para os Estados Unidos isolarem Cuba dessa maneira. Se realmente quisessem subverter Cuba, teriam aberto as fronteiras e feito o que estão fazendo agora anos e anos atrás. Porque isso provavelmente iria fazer com que as forças do mercado trabalhassem dentro do país e o poder dinheiro iria solapar o socialismo.
A partir da outra perspectiva, creio que a reaproximação entre Cuba e EUA, há muito adiada, é uma ameaça a alguns aspectos que considero grandes realizações da era Castro. Particularmente, nos serviços de saúde, na alfabetização e na educação, além de muitas outras coisas que vieram da Revolução Cubana e são extremamente positivas à população em geral. Mas, ao mesmo tempo, há esse grande ponto de interrogação que é medir o quanto do padrão de vida dos cubanos foi afetado pelas políticas de bloqueio norte-americano. Minha esperança é que a abertura das fronteiras e do comércio permitirá um aumento do padrão de vida da população cubana e o aliviamento de certas arenas de descontentamento que ainda existem em parcelas da população, como, por exemplo, sobre falta de investimentos em moradia e infraestrutura. Esta vai ser a tarefa do regime socialista em Cuba, que agora passará a estar integrado à economia global capitalista. E, todos sabem, a partir de outros exemplos, que é muito difícil ser socialista em meio a essa atividade capitalista globalizada.
OM: E por que esse passo só foi dado agora?
DH: A população cubana da Flórida, que, por muito tempo, foi fortemente contra qualquer reaproximação com o regime de Castro, envelheceu. E a nova geração, seus filhos e filhas, não dão toda essa importância à questão: eles são cidadãos norte-americanos que não conseguem ver por que não reconciliar-se e não vão causar agitação política por causa desse movimento. O ambiente interno nos EUA hoje é ímpar; cerca de vinte anos atrás, isso seria recebido como um ultraje. Essa queda de preocupação com a questão cubana dentro dos EUA é provavelmente o principal fator que permitiu a esse governo dar o salto. Mas, é claro, houve também uma ajuda considerável e muito significativa do papa Francisco, que deu muita legitimidade ao processo.
OM: Alguns setores da esquerda têm elogiado a atuação e os discursos de denúncia da pobreza pelo papa Francisco. Como o senhor vê a atuação do atual pontífice?
DH: Obviamente ele tem uma inclinação progressista. Sobretudo ao reviver alguns aspectos da Teologia da Libertação, em cuja destruição o papa anterior [Bento XVI] teve uma atuação muito forte. Acho também que a Teologia da Libertação teve um papel muito importante na América Latina nos anos sessenta e setenta. E a destruição dessa corrente levou, de certa forma, ao enfraquecimento da Igreja Católica na região. Porque a opção dos pobres não estava mais lá. E acho que o papa Francisco está muito bem informado sobre isso e sabe que o poder da Igreja na América Latina depende de trazer de volta as conectividades da Igreja nesse universo, em meio à invasão das religiões evangélicas, que fizeram que a população descartasse o catolicismo como principal fonte de fé. Há na América Latina uma batalha pelas almas da população. E o papa atual está muito mais atualizado sobre o que é preciso fazer.
OM: O presidente Barack Obama se encaminha para a reta final de seu mandato à frente da Casa Branca. O presidente cumpriu com as expectativas criadas quando assumiu o cargo?
DH: Muitas pessoas estão desapontadas com Obama, mas eu nunca tive grandes expectativas. Fiquei muito feliz de, pela primeira vez, ter sido eleito um presidente negro. Mas sempre o encarei como um político de centro-direita — nem mesmo de centro-esquerda. E, por isso, minhas expectativas não eram altas. Não houve muitas mudanças dramáticas. Mas fato é que Obama teve de enfrentar uma oposição muito, muito virulenta e irracional. Digo, os republicanos o odeiam. As pessoas o odeiam. Isso é assombroso. Qualquer coisa que ele propõe é imediatamente rejeitada pelos republicanos. Entretanto, o que realmente me surpreende é que eu acreditava que ele seria muito mais forte na questão dos direitos civis. Fiquei surpreso com o seu fracasso em proteger direitos individuais e minorias, como questões de violência policial e políticas de controle ao acesso de armas de fogo. Além disso, ainda não fechou a prisão de Guantánamo, como havia prometido na campanha. E em política externa, a situação é bem complicada. Mas no balanço final, é muito mais preferível do que alguém da direita republicana.
OM: E sobre o Brasil? O governo da presidente Dilma Rousseff, em seu segundo mandato, tem enfrentado críticas da esquerda ao adotar políticas austeras como, por exemplo, o corte de gastos públicos e a defesa de uma lei que terceiriza as relações trabalhistas. Como o senhor enxerga a relação entre o Partido dos Trabalhadores e as pautas históricas da esquerda?
DH: Acredito que o PT, dadas as suas origens, obviamente defendeu políticas pelas classes trabalhadoras. Mas acho que ter chegado ao poder os fez fazer concessões, mais e mais concessões. Mas é o que acontece com boa parte dos partidos políticos de esquerda no mundo: cede ao grande capital, cede um pouco à direita. Mas, em todo o caso, a economia certamente se deteriorou. Em parte, por conta da queda do crescimento chinês, que desacelera a demanda por materiais e certos produtos brasileiros. Então o que temos é uma situação em que o PT, ao que me parece, parou de ser um reflexo exato das necessidades de sua base política. Então, quando a demanda por austeridade chega, não há outra opção, se não aceitá-la. Mas aí sua base política é corroída. E o que vemos é uma reversão em direção a governos de tendência à direita, de certa forma.
OM: Qual a melhor forma de lidar com o ativismo político das bases populares?
DH: Acho que há muito o que aprender sobre como canalizar isso. Mas aqui no Brasil me parece que há uma situação única, com movimentos sociais muito fortes, ao longo dos anos noventa, como o MST. Mas acho que toda a relação entre poder e aparato políticos e os movimentos sociais é uma questão crítica. E eu não acho que o PT conseguiu fazer isso da melhor maneira possível. Estariam numa situação muito melhor se tivessem mantido fortes os laços com, por exemplo, o MST e os movimentos de moradia, de direito à cidade. Essa base popular é politicamente muito importante.
Por outro lado, o que vemos com o Podemos, na Espanha, é um movimento que está localizado fora dos partidos políticos tradicionais e que, a partir de certo momento, passa a influenciar a política de seu jeito particular, e então, passa a se transformar em um partido político. Então, o que presenciamos agora são movimentos extraparlamentares entrando na esfera parlamentar. Quais os efeitos? Não sei ao certo. Mas é um momento muito interessante em que novas maneiras de fazer política estão sendo empurradas para dentro dos velhos sistemas de representação política e democracia parlamentar — e com resultados potencialmente explosivos. Mas quem será explodido e aonde, aí já não sei…

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Comunidades quilombolas fazem manifestação em frente ao Palácio dos Leões, em São Luís

Imagem: Reprodução do Meio Norte


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Os manifestantes se concentraram em frente ao Palácio dos Leões, em São Luís, Maranhão, na manhã desta segunda-feira.
Com faixas, cartazes e música chamaram atenção do Governo do Estado. Esses representantes de várias comunidades da zona rural de São Luís, pedem a regularização das terra em que vivem.
“O que mais queremos é ter direito a moradia e permanecer no nosso local, que o governo Flávio Dino tome conhecimento e nos ajude, tome uma posição”, disse Raimundo Oliveira, líder comunitário de Parque Araçagi II.
“As pessoas necessitam de moradia, pois a maioria são pessoas carentes”, disse Cleilson Costa, líder comunitário da Vila Esperança.
Em todo o Estado a disputa por terras gera dados alarmantes, segundo a Comissão Pastoral da Terra, entre 1985 e 2013 foram 138 casos de mortes causadas pelo conflito. Ainda hoje, famílias perdem as casas e tudo que produzem.
“Estamos lutando pelo nosso direito e não vamos desistir. Sabemos que o governo tem que respeitar a moradia e as famílias tradicionais que tanto ajudam o Maranhão”, disse Maria Pires.
O Secretário Estadual dos Direitos Humanos e Participação Popular conversou com os manifestantes. Segundo ele, o governo reconhece o problema e já vem tomando medidas para resolver a situação.
“A partir de conversas com os representantes dessas comunidades, o governo do Estado enviou para a Assembleia Legislativa a criação de uma comissão própria para tratar desses assuntos e essa comissão estará sendo instalada nos próximos dias, para mediar a solução desses conflitos”, disse o secretário Francisco Gonçalves.
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Imagem: Reprodução do Meio Norte

Vale acha muito pagar R$ 1 milhão por perícia sobre danos à saúde

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Ubervalter Coimbra, Século Diário
A Vale acha um absurdo pagar pouco mais de R$ 1 milhão por uma perícia complementar sobre o pó preto, valor definido pela Justiça Federal. A manifestação foi em  processo em que a Vale é ré.  Os capixabas da Grande Vitória gastam R$ 565 milhões, por ano, para tratar doenças produzidas pela poluição do ar na Grande Vitória, entre as quais o câncer. 
A responsabilidade pela poluição do ar na região é da Vale e  ArcelorMittal Tubarão e Cariacica. A manifestação da Vale foi na ação civil pública nº 0006596-30.2006.4.02.5001 contra a empresa. A ação tramita na 4ª Vara Federal Cível, de responsabilidade do juiz Ricarlos Almagro Vitoriano Cunha. A ação contra a Vale é da Associação Nacional dos Amigos do Meio Ambiente (Anama).
O juiz decidiu por determinar a perícia complementar. Ele perguntou à Vale se a empresa concordava com o valor indicado pelo perito oficial, de pouco mais R$ 1 milhão.  A Vale considerou que a decisão do juiz foi omissa e “sem nenhum amparo legal”. E ainda que o valor é “desmesurado e excessivo, absolutamente desproporcional à execução dos serviços”.
E, visando ensinar o juiz, a Vale afirma: “Ora. Excelência, como o próprio nome sugere, o termo `complementar´ significa acrescentar, complementar, adicionar. No entanto, o valor indicado pelo perito é praticamente equivalente  àquele que a Vale já fora outrora compelida a arcar, R$ 1.161.268,00, concernente, reitere-se, aos honorários de uma perícia que não requereu, em manifesta  violação ao artigo 33 do Código de Processo Civil”.
A Vale segue sua queixa sobre de ter de gastar pouco mais de R$ 1 milhão: “À evidência, o numerário é relevante à requerida, justamente  num dos períodos mais críticos e nebulosos da economia do mercado de minério de ferro”.
Após se lastimar, a Vale diz que quem tem de pagar  agora a perícia complementar é a Prefeitura de Vitória, outrora ré no processo, hoje autora junto  com a Anama. Isto em virtude de a prefeitura ter o “dever constitucional de fiscalizar a  qualidade ambiental dos munícipes”.
A empresa também não quer a destituição e substituição do perito, o mesmo que pediu a complementação da perícia. Quer, sim, que ele responda a novos quesitos, que lista no processo.
A Vale cita ao juiz federal que aceitou a parcela de culpa por  15,8% das emissões totais na Grande Vitória na CPI do Pó Preto da Assembleia Legislativa. E que existe um outro inventário de fontes em andamento, atualizando o que foi disponibilizado pelo Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).
Ocorre que não é apenas este o percentual de culpa da Vale sobre as emissões de poluentes no  ar. Já em 2005, à Vale cabia a responsabilidade de emissão de 60,58% do material particulado total (MPT) da região (ou 72,63% do total emitido pela siderurgia), o equivalente a 5.275,21 toneladas por ano, de acordo com pesquisa de mestrado da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
A dissertação, aprovada em 2011, considera que “também é relevante a parcela referente à ArcelorMittalTubarão, 22,10% do total, com a emissão de 1.605,02 toneladas/ano.  Com a poluição da ArcelorMittalCariacica (então Belgo), que respondia por 2,05% do material particulado total (MPT) na Grande Vitória, aArcelorMittal respondia, no total,  por 24,15% do material particulado na Grande Vitória. Outras siderúrgicas, de menor porte, também são responsáveis pelo MPT.
A Vale e a ArcelorMittal usam equipamentos obsoletos em suas  chaminés, e não  tratam os gases que produzem. Entre os poluentes, agentes cancerígenos

Vale é condenada a pagar R$ 804 milhões por acidentes de trabalho

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Foram mais de dois mil acidentes e 12 mortos no complexo de Carajás, segundo estimativas de magistrado da Justiça do Trabalho que condenou a empresa. A reportagem é de Piero Locatelli, da Repórter Brasil:
Um funcionário da Vale fazia consertos em uma ferrovia quando foi prensado por um vagão desgovernado que se deslocou em sua direção. Seus órgãos foram esmagados e ele sofreu diversas fraturas na bacia. Desde o acidente em 2004, passou por inúmeras cirurgias, inseriu uma prótese peniana e agora precisa retirar urina com uma sonda a cada 30 minutos.
Como ele, mais de 2 mil funcionários da empresa teriam sofrido acidentes graves no complexo da região de Carajás desde o ano 2000. A alta frequência de casos assim chamou a atenção da Justiça do Trabalho, que condenou a Vale a pagar R$ 804 milhões. A decisão é do juiz Jônatas Andrade, da Segunda Vara do Trabalho no município de Marabá (PA). À decisão, cabe recurso.
Procurada pela reportagem, a Vale disse que não comentaria a decisão e os acidentes antes de ser notificada pela Justiça.
Esse complexo é o maior da mineradora, que por sua vez é a maior produtora de minério de ferro do mundo. O ferro retirado do Sudeste do Pará é levado pela ferrovia da Vale até o seu porto em São Luís, capital do Maranhão. Foi nesse complexo que cinco trabalhadores contratados diretamente pela empresa morreram e outros 1.018 se acidentaram desde o ano 2000. O juiz também estima que funcionários terceirizados, que prestavam serviços à Vale, tenham sofrido outros 1.362 acidentes, sendo sete deles com vítimas fatais.
O número de acidentes, para o juiz, mostra o “grave descumprimento de normas básicas e elementares de segurança, saúde e medicina do trabalho.” Não se tratariam de casos isolados, como argumenta a empresa em sua defesa que consta na sentença, mas de um processo amplo de desrespeito a normas básicas de segurança. Dois exemplos são a falta de iluminação para atividades durante a madrugada e barreiras entre os funcionários e o mar.
O magistrado afirma ainda que a empresa teria aumentado seus lucros “à custa de lesões de trabalhadores”. Por fim, o juiz alega que a empresa adulterou e suprimiu documentos entregues ao Ministério Público do Trabalho durante a investigação, atuando com “litigância de má-fé”.
Valor “ínfimo” – Em um acidente que poderia ser evitado com medidas simples, na opinião do juiz, Thiago Santos Cardoso foi atropelado por um caminhão da Vale no meio da madrugada . Ali, não havia iluminação além das luzes da escavadeira e do caminhão.
A morte de Cardoso foi a base da primeira ação do MPT do Pará sobre os acidentes no complexo, feita em 2009. Desde então, outros casos foram juntados à investigação. Entre eles está o de Lusivan Pires, funcionário do porto de São Luís. Ele foi içado por um guincho que deveria carregar cargas aos navios, teve o braço arrancado e faleceu na mesma hora.
Diante da quantidade e gravidade de casos, o pedido inicial do Ministério Público do Trabalho, de R$ 10 milhões de indenização, foi então considerado “ínfimo” e “desproporcional” pelo juiz. “A atitude [da Vale] abala o sentimento de dignidade, tendo reflexos na coletividade e causando grandes prejuízos à sociedade,” diz a sentença.
Segundo o magistrado, mesmo com o significativo aumento no valor da ação, a situação econômica da Vale está resguardada. A multa de R$ 804 milhões corresponde a pouco mais de 8% do lucro total da empresa apenas em 2009, ano da ação do MPT, quando a empresa lucrou – segundo a sentença – R$ 10 bilhões.
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Foto: Mina de ferro do complexo de Carajás (Divulgação/Vale)

quinta-feira, 4 de junho de 2015

No MA, Ka’apor sofrem ameaças diárias e Estado continua omisso

Foto de Ruy Sposati: Ka'apor
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Indígenas Ka’apor da Terra Indígena (TI) Alto Turiaçu, no Maranhão, continuam sofrendo ameaças e intimidações devido às denúncias de exploração madeireira no território. Na última sexta-feira (29) uma das principais lideranças do Conselho de Gestão Ka’apor, não identificada por razões de segurança, foi cercada por uma caminhonete e um carro pequeno, na estrada de acesso à aldeia Ximborendá (à qual pertencia a liderança assassinada Eusébio Ka’apor), saída do município de Santa Luzia do Paruá.
O carro onde estava a liderança e outras duas pessoas foi perseguido pelos veículos desde a cidade até a entrada da aldeia, onde dispararam tiros. “Parece que atiraram pra cima, pra assustar mesmo. Aí eu acelerei o carro e atravessei bem rápido por um lugar onde tinha outros parentes trabalhando pra recuperar um bueiro da comunidade”, explica. Depois de passar pelo local onde os indígenas trabalhavam, os carros deixaram de segui-lo. “Se a gente estivesse de moto podiam ter matado”.
Os Ka’apor relatam que na mesma semana dois indígenas foram abordados por três homens armados na estrada que liga o município de Araguaña ao povoado de Betel – onde suspeitam ser a localidade do assassino de Eusébio. Os homens teriam dito que trabalhavam com madeireiros que estão desmatando uma área dentro da TI e que tirariam a madeira no verão. “Disseram que não era pra gente falar nada para as lideranças que estão denunciando os madeireiros, senão vão invadir nossa aldeia com muitos tiros e ‘ matar todos os índios da aldeia’”, disse um dos indígenas.
Três das oito áreas de proteção – criadas para impedir a entrada de madeireiros no território – foram desativadas nas últimas semanas devido às ameaças sofridas pelas 25 famílias que ocupavam as aldeias. “As pessoas tiveram que retornar para as aldeias de origem e a entrada para os agressores ficou livre, já estão extraindo a madeira da nossa floresta de novo”, explica uma liderança do Conselho de Gestão.
Vulneráveis à ação de criminosos que devastam a TI, os indígenas cobram segurança dos órgãos públicos “Não podemos ficar esperando parecer das investigações do assassinato do Eusébio, precisamos de ações que nos dêem segurança para andarmos livremente no território e para cidade quando a gente precisar”, reforça uma das lideranças.
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Foto: Ruy Sposati

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Vale e Arcelor respondem por 83,41% do material particulado na Grande Vitória

Imagem: Grande Vitória sofre com o pó preto (Folha de Vitória)

Vale e Arcelor respondem por 83,41% do material particulado na Grande Vitória

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Ubervalter Coimbra, Século Diário
A Vale e a ArcelorMittal respondem por 83,41% do Material Particulado Total (MPT) da Grande Vitória. Foi o que constatou um pesquisador do mestrado em Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2011, que analisou dados de 2005, do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).
Embora as atividades na área de siderurgia tenham aumentado, as empresas e o Iema dizem que a poluição do ar produzida pelos dois setores na Grande Vitória diminuiu.
Na pesquisa, o mestrando afirmou que a maior participação corresponde à Vale, 60,58% do MPT da região (ou 72,63% do total emitido pela siderurgia), o equivalente a 5.275,21 T/ano de MPT. E considera que “também é relevante a parcela referente à ArcelorMittalTubarão, 22,10% do total, com a emissão de 1.605,02 T/ano”.
Com a poluição da Arcelor Mital Cariacica (então Belgo), que responde por 2,05% do MPT na Grande Vitória, a ArcelorMittal respondia no total por 24,15% do material particulado na Grande Vitória. Outras siderúrgicas, de menor porte, também são responsáveis pelo MPT.
A chancela da dissertação foi dada pela orientadora do mestrando, Jane Meri Santos, Ph.D, e por NeyvalCosta Reis Jr, com igual titulação, co-orientador, ambos do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O mestrando, aprovado, foi Israel Pestana Soares.
Além de destacar as atividades siderúrgicas, com participação de 83,41% no material particulado total (MPT) da região, como fonte poluidora, os dados do Iema apontavam que à época, as pedreiras representavam 7,58% desse material; e os veículos automotores que circulam na região, 3,80% do MPT em termos de PM10.
Registra que a maior participação corresponde à Vale, a qual representa 60,58% do MPT da região (ou 72,63% do total emitido pela siderurgia), o equivalente a 5.275,21 T/ano de MPT. Também é relevante a parcela referente à ArcelorMital Tubarão, 22,10% do total, com a emissão de 1.605,02 T/ano (mais 2,05%, da Belgo, hoje ArcelorMittal Cariacica, total 24,15%).
A CBF (à época desativada) e Companhia Siderúrgica Santa Bárbara possuem emissões discretas, 1,78% e 1,45%, respectivamente, do total das emissões siderúrgicas.
As outras fontes de MPT à época eram as pedreiras 7,58%, do total; veículos, 3,80%; cimenteiras 1,65%; indústria alimentícia 1,04%; indústria química 0,80%;  indústria cerâmica 0,70%; indústria têxtil, 0,52%; atividades portuárias 0,26%; fabricação de concreto, 0,19%; fundição, 0,02%; usina de asfalto 0,02%; e, frigoríficos 0,02%.
Com manobras, a participação da siderurgia e mineração foi caindo nas estatísticas doIema, apesar de as empresas aumentarem a produção. A situação se tornou tão cômoda que na CPI do Pó Preto este ano, a Vale assumiu a responsabilidade pela emissão de 15,8% do total das emissões (no total) da Grande Vitória, e a ArcelorMittal a responsabilidade por 6,1% da poluição do ar.
No inventário de fontes, realizado no período de 2009 – 2011, foi constatado que a Vale e a ArcelorMittallançam 38 mil toneladas de poluentes, todo mês, sobre a Grande Vitória. Os poluentes são suficientes para encher 593 carretas, com capacidade para transportar 27 toneladas.
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Imagem: Grande Vitória sofre com o pó preto (Folha de Vitória)